MP PEDE INQUÉRITO CONTRA INSTITUTO MÉDIA POR PESQUISA QUE COLOCA ÁLVARO EM PRIMEIRO LUGAR

O Ministério Público Eleitoral do Rio Grande do Norte pediu, nesta segunda-feira 3, a abertura de um inquérito na Polícia Federal para investigar possíveis crimes eleitorais na realização de uma pesquisa que colocou Álvaro Dias (PL) na liderança da disputa pelo Governo do Estado.

O levantamento, produzido pela empresa Média Inteligência em Pesquisa e divulgado pelo portal O Potengi, é alvo de suspeitas relacionadas à coleta dos dados, às coordenadas de localização das entrevistas e ao cumprimento das regras de fiscalização previstas na legislação eleitoral.

O pedido para abertura do inquérito está em um parecer assinado pelo procurador regional eleitoral Fernando Rocha de Andrade. O documento foi juntado nesta segunda-feira 3 a um processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN).

O MP aponta indícios de divulgação de pesquisa fraudulenta, falsidade ideológica eleitoral e embaraço à fiscalização partidária. A Procuradoria solicitou que a PF receba uma cópia dos autos e instaure inquérito para apurar as suspeitas.

Na pesquisa questionada, Álvaro aparece com 32,1% das intenções de voto no cenário estimulado para governador. Allyson Bezerra (União) figura na segunda posição, com 27,5%, enquanto Cadu Xavier (PT) registra 18,1%. O resultado diverge da maioria dos outros levantamentos registrados no RN, que apontam Allyson com ampla vantagem na corrida eleitoral potiguar.

Divulgado pelo portal O Potengi, o levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número RN-08092/2026. A Média diz ter ouvido 2 mil eleitores do Rio Grande do Norte entre os dias 3 e 8 de julho. A margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O caso começou a ser analisado pela Justiça Eleitoral depois que o diretório estadual do Republicanos — partido que integra a coligação Esperança e Trabalho, de Allyson Bezerra — solicitou acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da pesquisa. A legislação permite que partidos políticos, candidatos, coligações, federações e o Ministério Público examinem documentos e confrontem os dados divulgados, preservada a identidade dos entrevistados.

Em 15 de julho, a desembargadora eleitoral Sulamita Pacheco, relatora do processo no TRE-RN, deferiu o pedido do Republicanos e determinou que a Média entregasse, no prazo de dois dias, o relatório final, a identificação dos entrevistadores, as planilhas individuais, os mapas da pesquisa e os registros do sistema de controle e fiscalização da coleta. A empresa também deveria apresentar relatórios de supervisão de campo e documentos referentes à checagem de aproximadamente 20% dos questionários, além de permitir uma visita à sua sede para o exame aleatório do material.

A Média informou à Justiça ter cumprido a determinação e apresentou documentos como o Relatório Técnico Operacional de Campo e Controle de Qualidade, uma base com as 2 mil respostas, uma amostra de 400 entrevistas e o relatório final de divulgação. O Republicanos, entretanto, alegou que a ordem havia sido atendida apenas parcialmente.

Ao voltar a analisar o processo, em 28 de julho, Sulamita Pacheco concluiu que não haviam sido fornecidas as planilhas individuais, os mapas de campo e os registros do sistema interno de controle e fiscalização. A magistrada também afirmou que o acesso do partido à sede da empresa não foi adequadamente viabilizado. Diante da possibilidade de embaraço à fiscalização e de fraude na execução da pesquisa, ela encaminhou os autos à Procuradoria Regional Eleitoral.

No parecer desta segunda-feira, o Ministério Público considerou “irrepreensível” a decisão que assegurou ao partido acesso aos dados e afirmou que a ordem deveria ter sido prontamente cumprida. Para a Procuradoria, a resistência à fiscalização, associada às inconsistências encontradas no material apresentado, justifica a investigação criminal.

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