Um silêncio pesado tomou conta do plenário da Câmara Municipal nesta quinta-feira (07) quando a vereadora Rárika Bastos iniciou sua fala com uma contagem lenta: “um, dois, três… sessenta e um”. Cada número ecoou como um soco — exatamente o mesmo número de golpes que Juliana Soares recebeu do próprio companheiro dentro de um elevador em Natal. O discurso marcou os 19 anos da Lei Maria da Penha, lembrados no mesmo dia, e trouxe à tona a dura realidade que ainda sufoca milhares de mulheres no Brasil.
Visivelmente emocionada, Rárika relembrou outras histórias que chocaram a população e revelam a crueldade da violência de gênero. Citou o brutal assassinato de Márcia Anália, morta a facadas em Parnamirim no ano passado, e o caso emblemático de Maria da Penha Maia Fernandes, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio em 1983 e símbolo da lei sancionada em 07 de agosto de 2006. “São nomes que não podemos esquecer, porque representam milhares de outras mulheres que não tiveram voz”, destacou.
“Mais de 500 mil casos foram registrados só no começo deste ano. Parece assustador. Nós, mulheres, queremos alguém que nos acolha, não nos controle. Muitas vezes, na ausência de relações sólidas, nos apegamos a sentimentos pela metade. Peço que essa luta não seja apenas no Agosto Lilás e que essa Casa Legislativa não esqueça de tantas outras mulheres, principalmente das nossas”, disse a vereadora, arrancando aplausos e deixando um alerta que ecoou além das paredes do Legislativo.
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