A “RAINHA QUE NUNCA FOI” DE PARNAMIRIM E SEU CASTELO DE AREIA

Dizem, e comenta-se desde já o que muitos apenas murmuravam, que Parnamirim tem sua própria versão da trama de Game of Thrones. Assim como Rhaenys Targaryen — a princesa que foi preterida no Grande Conselho e eternizada como “A Rainha que Nunca Foi” — a cidade abriga uma figura que sonha com a coroa municipal, mas jamais conseguiu conquistá-la. A diferença é gritante: Rhaenys foi vítima da escolha dos lordes; por aqui, não alcança o posto porque o povo simplesmente não a quer.

Falam pelos corredores que, ao contrário da princesa injustiçada, a “Rainha que nunca foi” de Parnamirim  opera não para construir, mas para ver as coisas desandarem. Entre planos maquiavélicos sem êxito e tentativas de colocar aliados uns contra os outros na base da prefeita, ela teria convertido a política num tabuleiro pessoal, onde a cidade nunca parece ser a prioridade. A cada movimento frustrado, cresce a percepção de que o objetivo não é colaborar com a gestão, mas sabotar os que hoje governam.

Cometa-se ainda que, depois de um plano malsucedido para derrubar a prefeita ter desabado antes mesmo de ganhar força, a “Rainha que nunca foi” de Parnamirim teria transformado o fracasso em missão permanente. Tudo indica que tenta, a qualquer custo, provocar instabilidades, esperando que algum abalo abra caminho para assumir a cadeira que nunca conquistou nas urnas. Em conversas reservadas, dizem que ela age como quem acredita que o destino pode ser alcançado pelo caos, já que pelo voto não consegue.

E há um detalhe quase simbólico: a “Rainha que Nunca foi” — contam seus próprios aliados — sorri de orgulho quando alguém a chama pelo título que não possui. É como se se deleitasse no momento fugaz em que a tratam como rainha, ainda que esse “reinado” dure apenas segundos. Um gesto que reforça a ironia: para ostentar o verdadeiro título, existe antes uma prova incontornável — uma campanha, uma eleição, uma escolha popular. Mas talvez esse breve instante de glória, quando a chamam do que ela sonha ser, seja o mais perto que chegará da coroa. Afinal, em Parnamirim, a “Rainha que Nunca Foi” não é fruto da injustiça — é fruto da realidade.

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