Uma nova pesquisa internacional reacende um dos maiores debates da história brasileira ao sugerir que a expedição de Pedro Álvares Cabral teria chegado primeiro ao litoral do Rio Grande do Norte, e não a Porto Seguro, na Bahia. O estudo, publicado pela Universidade de Cambridge, foi conduzido pelos físicos brasileiros Carlos Chesman, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e Carlos Furtado, da Universidade Federal da Paraíba, e aponta evidências científicas de que o primeiro contato da frota portuguesa com o Brasil ocorreu em solo potiguar.
A pesquisa analisou detalhadamente a carta de Pero Vaz de Caminha, documento histórico que narra as primeiras impressões da chegada portuguesa ao Brasil. Com o uso de ferramentas tecnológicas modernas, mapas dinâmicos e simulações por GPS, os pesquisadores cruzaram dados numéricos do texto com informações sobre ventos, correntes marítimas e a força de Coriolis. Os resultados indicam que a rota mais compatível com as condições do século XV conduziria naturalmente a frota de Pedro Álvares Cabral ao litoral do Rio Grande do Norte, e não ao sul da Bahia.
Segundo o estudo, o Monte Pascoal descrito por Caminha corresponderia, na verdade, ao Monte Serra Verde, próximo ao município de João Câmara. As expedições marítimas realizadas a cerca de 30 quilômetros da costa potiguar, aliadas ao uso de imagens de satélite em 3D, reforçam a tese de que o primeiro desembarque ocorreu na praia de Zumbi, em Rio do Fogo, e o segundo ponto de ancoragem na praia do Marco do Descobrimento, em São Miguel do Gostoso. Além disso, os cálculos demonstram que a distância aproximada de quatro mil quilômetros desde Cabo Verde se ajusta melhor à chegada pelo RN.
Embora a hipótese ainda gere debates entre historiadores, ela não é inédita. Pesquisadores como Luís da Câmara Cascudo e Lenine Pinto já defendiam essa possibilidade há décadas. Em 2018, o então deputado estadual Carlos Augusto promoveu uma audiência pública em Touros com o tema “Touros, o Brasil nasceu aqui”, reforçando a relevância histórica, política e turística do debate. Para o Rio Grande do Norte, a teoria representa não apenas um reconhecimento simbólico, mas também um potencial impacto educacional, cultural e econômico de grande alcance.
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