Nós, moradores do Residencial Terras de Engenho I e II, viemos por meio desta carta falar diretamente à sociedade.
Somos uma comunidade localizada às margens da cidade de Parnamirim, na divisa entre Parnamirim e Macaíba. Apesar da distância do centro urbano, aqui vivem aproximadamente mil famílias. Famílias simples, trabalhadoras, honradas, que acordam cedo todos os dias para pegar ônibus, carro, moto ou carona e seguir rumo ao trabalho em Natal e regiões vizinhas.
Aqui vivem pais e mães que lutam diariamente para colocar comida na mesa, educar seus filhos, pagar suas contas e manter sua dignidade. Pessoas que tentam vencer na vida de forma honesta, sem atalhos, sem violência, sem criminalidade.
O Residencial Terras de Engenho não pode ser representado por atos isolados de alguns. A verdadeira representação dessa comunidade são as pessoas que não apareceram nas imagens, que não estavam nas ruas, que ficaram dentro de casa com medo, em silêncio, em pânico, protegendo seus filhos, idosos e familiares.
A manifestação pacífica é um direito legítimo. O protesto é válido. Mas quando uma situação se transforma em confronto, tensão e violência, infelizmente surge a reação. E quem paga o preço são sempre os mesmos: os moradores do bem, que não apoiam a criminalidade, que não conhecem a violência e que apenas querem viver em paz.
Hoje, somos uma população vulnerável, marcada pela tristeza, pelo medo e pela sensação de abandono. Somos uma comunidade esquecida pelo poder público, esquecida pela sociedade, esquecida pelas políticas de segurança, de assistência e de dignidade.
Não escolhemos viver essa realidade. Não buscamos o caos. Apenas existimos em um lugar onde faltam oportunidades, presença do Estado, investimentos e proteção.
Por isso, fazemos um apelo. Um pedido de socorro. Um clamor humano.
Pedimos ajuda aos governantes, às autoridades e a todos que possam nos ouvir, nos ver ou ler esta carta. Precisamos de políticas públicas reais, de segurança, de respeito, de inclusão e de dignidade.
Somos pessoas do bem. Somos trabalhadores. Somos pais, mães, filhos e filhas. Somos cidadãos.
Não queremos ser lembrados por tragédias. Queremos ser lembrados por nossa luta, por nossa honestidade e pelo direito básico de viver sem medo.
Que a sociedade nos enxergue. Que o poder público nos alcance. E que a paz volte a habitar nossos lares.



















