Um episódio recente de maus-tratos resultando na morte de um cavalo de carroça reacendeu o debate sobre a utilização desses animais para tração urbana na Câmara Municipal de Natal. O vereador Robson Carvalho (União) trouxe o caso à tona, denunciando a morte do animal, que ocorreu após um resgate em estado crítico realizado pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur).
Diante da gravidade da situação, Robson anunciou que a fiscalização contra a exploração de animais será intensificada na capital potiguar. Ele ressaltou que a prefeitura já possui amparo legal para intervir e apreender carroças conduzidas por pessoas que submetem cavalos a condições debilitantes. “Quem estiver com animal em situação crítica vai ter a carroça tomada. É crime, e a pena vai de dois a cinco anos de reclusão”, alertou o parlamentar.
O vereador esclareceu que, mesmo na ausência de uma regulamentação específica para carroças, uma lei municipal existente já permite a atuação do poder público em casos de abuso e maus-tratos. Ele relatou que sua equipe, acompanhada por um veterinário, tentou socorrer o cavalo resgatado, fornecendo medicação, mas o animal não sobreviveu. “É mais uma vítima da exploração. Recebemos a denúncia, socorremos, demos assistência, mas ele acabou morrendo”, lamentou Robson.
Para o vereador, a solução definitiva para o problema envolve a erradicação do uso de carroças em Natal, aliada a programas de inclusão social para os carroceiros. Com esse objetivo, ele planeja visitar as capitais João Pessoa (PB), Recife (PE) e Maceió (AL) durante o recesso legislativo. A intenção é conhecer de perto as alternativas que já vêm sendo implementadas nessas cidades, como a adoção de triciclos elétricos, bicicletas de carga e motocicletas adaptadas, com suporte de programas como a CNH social.
Robson Carvalho fez questão de ponderar a complexidade da questão, enfatizando a necessidade de oferecer alternativas viáveis para os trabalhadores que dependem das carroças como meio de subsistência. “Não estou defendendo quem agride os animais. Estou dizendo que tem família envolvida nisso. É uma questão social também”, observou, destacando a importância de abordar tanto o bem-estar animal quanto a vulnerabilidade social dos carroceiros.


















