Já ocupei o cargo de deputado do Rio Grande do Norte.
Volta e meia, alguém me pergunta: “Como você chegou até lá?”
Eu nunca precisei pensar muito para responder.
Estendendo a mão para quem precisava.
Com o tempo, percebi que as pessoas quase nunca esperam de nós grandes soluções. Na maioria das vezes, elas só querem saber que não estão sozinhas.
Mas tenho a impressão de que estamos perdendo a capacidade de estar presentes.
Nunca estivemos tão conectados. Nunca foi tão fácil falar com alguém que está do outro lado do mundo. E, ainda assim, parece que estamos cada vez mais distantes de quem está ao nosso lado.
Vivemos a era do espetáculo.
A dor e a tragédia viraram conteúdo. O escândalo virou série de entretenimento. A humilhação virou meme. E a solidariedade, muitas vezes, termina quando apertamos o botão de compartilhar.
Vejo campanhas pedindo doação de sangue alcançando milhares, às vezes milhões, de pessoas. Enquanto isso, o hemocentro continua esperando por doadores.
Porque compartilhar uma publicação não doa sangue.
Uma mudança que parece pequena, mas diz muito sobre o tempo em que vivemos.
Houve uma época em que, no dia do aniversário, o telefone tocava.
A ligação de aniversário foi trocada por um “Parabéns! Muitas felicidades!” copiado e colado.
Há pessoas que recebem centenas de mensagens no dia do aniversário. Mas há quem termine o aniversário sem ouvir uma única voz dizendo:
“Eu lembrei de você.”
Porque mensagem leva segundos.
Tempo é vida.
Quando alguém nos dedica o seu tempo, está oferecendo algo que nunca poderá recuperar.
Talvez seja isso que estejamos esquecendo.
Estamos substituindo a presença pela conexão.
O abraço pelo emoji.
A visita pela mensagem.
A conversa pela reação.
A ajuda pelo compartilhamento.
E, sem perceber, vamos nos tornando espectadores da vida.
Quem transforma uma sociedade são pessoas comuns.
As que ligam.
As que visitam.
As que doam sangue.
As que aparecem quando ninguém mais aparece.
As que estendem a mão sem esperar reconhecimento.
Porque, no fim das contas, ninguém é lembrado pela quantidade de curtidas que recebeu.
Somos lembrados pelo tempo que dedicamos às pessoas.
Pelas mãos que seguramos.
Pelas lágrimas que enxugamos.
Pelas vidas que tocamos.
Talvez o mundo tenha virado plateia.
E você? Está na plateia… ou está vivendo?



















